série
o menino abandonado
2025

o abandono não aparece como falta simples.
surge como um extremo duplo, a sensação de ter tudo e nada ao mesmo tempo
um estado de borda, onde qualquer promessa de continuidade erra
a experiência do fim vira assunto eterno
Esta é uma série autobiográfica. Eu relato, por meio dessa visualidade, do choro e da catarse, algo do caos, da dor e do engano.
Um tipo de colapso íntimo que não se resolve em explicação, mas aqui, em imagem.
Como se virar a página de um livro e, de repente, já não houvesse mais livro.
Como se depois de gozar o sexo desaparecesse.
Como se depois de terminar a obra algo finalizasse para sempre, sem retorno, sem resto, sem sequência.
nesse registro, a ideia de um rosto alegre, começa a rachar por dentro até se abrir
O que aparece é a obscenidade do desespero.
como verdade cruel, impossível de evitar.
“o menino abandonado” é um relato: uma autobiografia em estado de emergência








